'I am so clever that sometimes I don't understand a single word of what I am saying.' Oscar Wilde

Família | Literatura | Lifestyle | Opinião

'Le livre des Baltimore' de Joël Dicker, De Fallois

domingo, 12 de novembro de 2017

Sinopse

Jusqu'au jour du Drame, il y avait deux familles Goldman. Les Goldman-de-Baltimore et les Goldman-de-Montclair. Les Goldman-de-Montclair, dont est issu Marcus Goldman, l'auteur de La Vérité sur l'Affaire Harry Quebert, sont une famille de la classe moyenne, habitant une petite maison à Montclair, dans le New Jersey. Les Goldman-de-Baltimore sont une famille prospère à qui tout sourit, vivant dans une luxueuse maison d'une banlieue riche de Baltimore, à qui Marcus vouait une admiration sans borne. Huit ans après le Drame, c'est l'histoire de sa famille que Marcus Goldman décide cette fois de raconter, lorsqu'en février 2012, il quitte l'hiver new-yorkais pour la chaleur tropicale de Boca Raton, en Floride, où il vient s'atteler à son prochain roman. Au gré des souvenirs de sa jeunesse, Marcus revient sur la vie et le destin des Goldman-de-Baltimore et la fascination qu'il éprouva jadis pour cette famille de l'Amérique huppée, entre les vacances à Miami, la maison de vacances dans les Hamptons et les frasques dans les écoles privées. Mais les années passent et le vernis des Baltimore s'effrite à mesure que le Drame se profile. Jusqu'au jour où tout bascule. Et cette question qui hante Marcus depuis : qu'est-il vraiment arrivé aux Goldman-de-Baltimore ?

La Revue

Quem não pesca grande coisa de francês, não se preocupe que em boa verdade a sinopse não diz nada de especial. Uma pessoa que não tenha lido o livro, da sinopse também não tira lá grande conclusão - o que é pena porque na evidência de não podermos ler todos os livros alguma vez publicados, as sinopses são uma boa ajuda para nos fazer render ao livro durante uns tempos.

O Joël Dicker é um jovem escritor suiço e este é o seu terceiro livro. Em 2010 escreveu o Les dernies jours de nos pères quue venceu o Prix des Écrivains Genevois e foi publicado pela de Fallois em Paris. Em 2012 escreveu La vérité sur l'affaire Harry Quebert que o lançou para a estratosfera literária. Este livro foi amplamente reconhecido e conseguiu o Grande Prémio de Romance da Academia Francesa. Em 2015 escreveu este 'Le livre des Baltimore' que também tem sido elogiado e manteve o rapaz no pódio.  

Da minha parte ler em francês tem sido um ensaio, depois de em Janeiro deste ano ter começado a trabalhar em Lisboa para Paris, senti vontade de voltar à língua francesa, esquecida e atirada para um campo na memória onde armazeno o que não me faz falta. Para reavivar a memória e aprender mais qualquer coisinha comecei a ler também em francês e o Joel tem uma escrita que não sendo demasiado simplista é perfeitamente acessível. Equipa que ganha não muda, já li todos os livros dele. O primeiro que li foi o aclamado La vérité sur l'affaire Harry Quebert, apesar de tão badalado não ecoou grande coisa em mim, talvez por ser um thriller e este estilo já não ser o meu favorito. É um livro coerente, bem escrito, cheio de mistério, mas que não me fascinou sobremaneira. O segundo foi o Les dernies jours de nos pères, melhor, é um livro Segunda Guerra Mundial que cumpre mas não comove enormemente.

Le livre des Baltimore é definitivamente o melhor livro que o Joël Dicker escreveu. Quando li a sinopse, na diagonal, julguei tratar-se de uma espécie de cem anos de solidão, uma história sobre uma família que atravessa as gerações, mas não podia estar mais enganada. Esta é a história de uma amizade entre três primos levada ao limite: Hillel, Woody e Marcus Goldman. A história é contada pelo Marcus em diversos tempos e cronologias. A geração anterior, o pai de Marcus e o pai de Hillel e Woody fizeram a vida separada, o primeiro em Mayfair e o segundo em Baltimore. Os Goldman de Baltimore são espectaculares, ricos e interessantes. Os Goldman de Mayfair são só os Mayfair: uma família banal de classe média. Entre os miúdos existe um vínculo incrível, ajudam-se e adaptam-se para se poderem encaixar e nunca se excluir. É aqui que o Joël é genial, a prosa enlaça-nos a estas personagens complexas, enche-as de dúvida e tribulação para que não consigamos cingir-nos a amar ou odiar cada um, temos que os compreender enquanto caminhamos para o clímax anunciado. Estamos desde o início à espera da tragédia enquanto se revelam, passo a passo, os esqueletos no armário. Vamos estabelecendo o porquê da fação Baltimore - se esta história tiver que ser sobre alguma coisa é sobre a impotência em nos relacionarmos uns com os outros em transparência. Over and over again cada uma das personagens se pergunta a si mesmo se é suficientemente bom. Se é suficientemente melhor que os outros. Este é o amor em competição que levou os Baltimore ao abismo num romance muito bem temperado de coerência, mistério, surpresa e subversão. Este livro é sobre desilusão, o peso dos erros e o custo e valor da reparação.



Duas notas. A primeira, não entendo porque é que sendo o rapaz suiço insiste em escrever romances passados nos States, por ventura não poderia a mesma história ser passada nos Alpes?! A segunda, todos os livros do Joël Dicker estão publicados em português pela Alfaguara.

Sem comentários :

Enviar um comentário